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As aves do Tunari e Alalay procuram renascer das cinzas e voar

O grito dos pássaros é ouvido no meio da tragédia-os incêndios.

O fogo em contato com a pele gera ardor e dor; quando envolve o corpo, calcina e mata, como dezenas de aves, de diferentes espécies, que morreram queimadas em incêndios no Parque Nacional Tunari (PNT) e na lagoa Alalay em Cochabamba.

O Parque Tunari abrange mais de 300 mil hectares, quase nove vezes o tamanho da cidade de Cochabamba. Atravessa os municípios de Cochabamba, Tiquipaya, Quillacollo, Vinto, Sipe Sipe, Sacaba, Colomi, Villa Tunari, Tapacarí e Morochata, boa parte é jurisdição do eixo Metropolitano.

A lagoa Alalay ocupa uma área de 240 hectares; nesta época tem pouca água. É um dos poucos espelhos de água na cidade, além de Quenamari e brincadeira brincadeira.

Em ambas as áreas ecológicas, os maiores focos de calor registrados recentemente foram os do final de outubro, que atacaram o habitat de espécies vegetais e animais, que ficaram sem comida e sem casa.

Encontraram 200 aves que morreram calcinadas e 230 ovos queimados na lagoa Alalay. Eles resgataram um corvo do rio e 15 filhotes de garça. Até agora, o grupo GEOS resgatou mil animais em incêndios florestais. A Força Especial de combate ao crime (FELCC) tem quatro alegações de incêndios florestais, este ano. Prenderam uma pessoa como suposta responsável pelo fogo em Alalay. O Tunari somou pelo menos 65 incêndios. Isso é parte do quantificável, até alguns dias atrás. O resto foi feito cinzas nos ecossistemas, e tornou-se compromissos das autoridades para assumir ações e dar com os responsáveis e proteger as áreas ecológicas.

O engenheiro ambiental Rodrigo Meruvia refletiu que, considerando a densidade florestal no Tunari e o ecossistema aquático em Alalay, se abriga importante vida do Vale Central de Cochabamba, para as aves, pequenos mamíferos, anfíbios, peixes que geram equilíbrio.

“Ao perder alguns dos componentes desses ecossistemas, chega-se a um desequilíbrio que pode ser muito prejudicial para essas espécies, que dependem desses habitats. Perder totoral, árvores em ambos os espaços, é muito prejudicial”.

As garças brancas se alimentam de peixes, anfíbios e répteis; são vistas paradas ou caminhando lentamente até a margem da Lagoa, conforme descrito pelos registros da Prefeitura em torno das aves que estão na lagoa Alalay.

As garças brancas correm em busca de peixes e pequenos animais; às vezes removem o fundo da água com as patas para fazer com que suas presas saiam; ele se reúne em grandes bandos para dormir nas árvores, onde nidifica em colônias. Entretanto, as garças azuis convivem em grupo, embora sejam vistas às vezes apenas com seu parceiro. Alimenta-se de peixes, algumas rãs e insetos. Pode ter de três a sete ovos.

Em condições normais, é assim que eles vivem. Mas, eventos como um incêndio quebram o ecossistema.

Entre a noite de 26 de outubro e a madrugada do dia seguinte, o fogo de um dos maiores incêndios registrados nessa área ecológica consumiu cerca de 40 hectares, o equivalente a cerca de 40 quadras de futebol, de totorais e outras espécies vegetais, onde morreram aves, répteis e insetos que estavam no lado nordeste ao sudoeste e em direção ao centro do corpo de água.

O fogo que subiu mais de dois metros. As chamas de encurralaram as aves, que voavam desorientadas, como enfrentando o fogo. Dezenas morreram calcinadas, agarradas aos seus ninhos.

Outras poucas foram resgatadas; entre essas, 15 pombos de garça, um com a asa quebrada.

O responsável pela área de Fauna Silvestre da Direção Ambiental da Prefeitura de Cochabamba, Dennis Soux, descreveu que encontraram essas aves entre as cinzas, em lugares onde havia dificuldade de acesso.

Andar sobre os totorais queimados era afundar pelo menos 10 centímetros em cinzas, em uma área onde o cheiro de carvão não desaparecia, nem a fumaça na terra quente.

As garças resgatadas foram transferidas para o abrigo municipal que fica no lado norte da mesma lagoa Alalay. Os filhotes, de semanas de nascidos, foram acomodados em uma espécie de curral no gramado, onde têm água fresca e os alimentam com frango e ispis, que são pequenos peixes.

Eles parecem estar melhor, embora alguns, há alguns dias, ainda tivessem parte da plumagem suja de lama e cinzas, a evidência do fogo e de ficar sem ninho.

“Não sei se as mães foram afetadas pelo incêndio; mas, eles estavam andando sozinhos no meio das cinzas”, descreveu.

No dia seguinte ao incêndio de magnitude, enquanto o fogo era ativado em um setor, as aves continuavam intrigadas sobrevoando a área convertida em carvão e cinzas, como se procurassem seus ninhos.

“Os adultos têm a facilidade de se mobilizar, mas os filhotes são mais suscetíveis a serem afetados. Algumas mães ficaram no ninho cuidando delas e pereceram no incêndio”.

A equipe da Vida Selvagem fez um raking na área. Encontraram 200 animais que morreram calcinados, principalmente Garças; além de cerca de 230 ovos queimados.

“É provável que tenha havido cobras, anfíbios, que foram afetados. Não os encontramos pelo estrato de cinza que se formou”.

Queimou-se o habitat em que se desenvolviam as aves. Ali estava a sua casa, ali arranjavam a sua comida e era o sector de reprodução das garças brancas.

Meruvia enfatizou a gravidade de envolvimento para as aves.

“É preciso entender que os totorais servem como lugar de nidificação, de eclosão, onde as aves saem do ovo, e de proteção de outras ameaças”, sustentou.

Em meados de novembro de 2020, no início de abril deste 2021 e no final de agosto também houve incêndios em Alalay. Mas nenhum foi tão trágico quanto o de 26 de outubro.

“Agora tem sido um incêndio de grande magnitude em uma área muito grande, mais do que tudo na área de nidificação de aves”.

O dano causado salta à vista e cheira a queimado. Além disso, há população de aves afetada, com estresse e feridas.

As garças adultas chegam a medir entre 45 e 50 centímetros de altura. Os pombos que foram resgatados medem metade. Deverão ficar no abrigo entre um mês e um mês e meio, para que possam valer-se por si mesmos no que diz respeito à sua alimentação.

“Depois vamos procurar um lugar adequado para a sua libertação na lagoa Alalay”, disse Soux.

Ao pombo que tinha uma fratura e foi entalhado, já se lhes acomodou a asa. Eles gorgolejam e seu som se mistura com aqueles que emitem os outros pássaros e outros animais resgatados que estão no abrigo, mais de 50 hoje.

Garças adultas diminuíram seu estresse. O pombo fraturado requer atenção e tempo para sua recuperação; o mesmo que todo o seu habitat-a lagoa Alalay.

Embora já houvesse vigilância 24 horas, as autoridades municipais anunciaram controles mais rigorosos. No final da tarde de 4 de novembro, um incêndio foi novamente registrado nas proximidades da Lagoa. Houve reação imediata, denúncia e apreenderam uma pessoa de 21 anos, que foi transferida para a FELCC por ser “com probabilidade o autor do incêndio”. Ele foi raptado por chaves, um cachimbo e um isqueiro. Ele negou ser é responsável.

No dia seguinte, o diretor desta unidade policial, Rolando Rojas, informou que a FELCC acumulou quatro denúncias até agora este ano sobre incêndios florestais, por casos de Combuyo, Tirani, outro do Parque Tunari e outro da Lagoa Alalay.

Recordou que os responsáveis por estes atentados contra o ambiente são passíveis de detenções de dois a oito anos, segundo o Código de Processo Penal.